ESCRITÓRIO THOBIAS®: ARQUITETURA

AS FACULDADES DE ARQUITETURAS THOBIAS® INFORMAM
Curso de Especialização:
Desenvolvimento do Lado Direito do Cérebro

Programa:
Módulo 01: "Sentando no quiabo com o lado direito do cérebro"
Módulo 02: "Entrando no Hades direito ao lado do Cérbero"
Módulo 03: "À margem direita do cérebro, sentei e chorei"
Módulo 04: "Passando manteiga no lado direito do pão e do cérebro"
Módulo 05: "O pecado mora ao lado direito do cérebro"
Módulo 06: "Auto-cad com o lado direito do cérebro"
Módulo 07: "Procriando com o sêmen ejaculado direto do cérebro"
Módulo 08: "Cagando e andando com o lado direito do cérebro"
Módulo 09: "Na próxima esquina, vire pro lado direito do cérebro"

E atenção: Quem completar as bagaça, ganha o diploma!!!

FACULDADES DE ARQUITETURAS THOBIAS®
(insuperáveis, porém modestas!)



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Enquanto isso, numa dessas Casas Coloridas Thobias®...


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Central Thobias® de Cursos do Terceiro Milênio promove:
Curso de Nada Sincronizado

ministrante:
Prof. Dr. Themístocles Serelepe de Moraes
(Especializado em Nada, Mestre em Nada, PhD. em Nada, Dr. em Nada Nada Nada)

local: a nível de
início: provável
término: incerto
horário: GMT
preço: baratinho, baratinho
maiores informações: liga aí que a gente se fala

obs.: presença de espírito garante certificados. Vários.

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Pobre arquiteto moderno, uma vida inteira projetando pérgolas aos poucos...


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Caros leitores deste blogger:

Enviar, de graça,
filosofias e projetos deste Escritório de Arquitetura Thobias® é um rompante de humildade e comiseração para com a raça humana (em geral) e para com a arquitetaiada (em particular). É a oportunidade que temos de descer, momentaneamente, do pódio no qual lançamos olhares e comentários sobre os fazeres e afazeres humanos.

Assim sendo, a partir de hoje, só encaminharemos estas verdades aos leitores que nos enviarem comprovantes de depósito bancário em nosso nome. Talvez assim a chusma que nos rodeia dê mais valor e sinta o poder que emana de nossos dedos frente a essa Tábua das Leis cheia de teclas. A arquitetura do futuro dirá quem está com a razão. We sorry, pois quem está sempre com a razão somos nós: Escritório de Arquitetura Thobias®!!!

Claujatar Prosca
Generalíssimo em Chefe
Escritório de Arquitetura Thobias®

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Grandes Novelas Arquitetônicas: resumo dos capítulos de ontem.

PÉ NA JACADEMIA DE BELAS ARTES DO RIO DE JANEIRO: 18h05min. 1930: Lúcio Costa enfia um bifa na cara de José Mariano Filho. Racionalismo Internacional pede Tradição Local em casamento. José Mariano Filho atocha uma taipadepilãozada na nuca de Lúcio Costa. Grandjean de Montigny baixa no terreiro da escola e tenta meter um coice na cara do primeiro engraçadinho que aparecer. O Moderno dá um mata-leão em Neoclássico. Lúcio Costa manda uma pilotizada abaixo da linha de cintura de José Mariano Filho. Rodrigo Mello Franco de Andrade dá uma rasteira elegantíssima em José Mariano Filho. Affonso Eduardo Reidy dá um pau em José Mariano Filho. Gregori Warchavchik acerta um sem-pulo na testa de José Mariano Filho. IPHAN acerta uma pedrada no meio das fuças de Neocolonial. A aula de teoria da arquitetura é suspensa a tijolada, pedrada, concreto, vidro, materiais honestos etc. etc.. Concreto Armado se vinga de Mármore Falso. Dobradiça Falsa range. Moderno é favorito. Neocolonial respira por aparelhos. O resultado do jogo vai parar no tapetão da história da arquitetura.

A CASACOR DAS 7 MULHERES: 19h10min. Simone Monteiro não-su-por-ta Marcela Papandokolius. Ana Campelo Paschoal a-do-ra Sofá Vermelho. Dario Duayer tá-can-sa-do de Ambientes Minimalistas. Guilherme Gibson Baldwin se apaixona por Mário Sabino Rocha. Glauco Nery combina Expressionismo Abstrato com Sofá de 3 Lugares. Mariângela Bevilácqua parte para Uma Coisa Mais Espiritual Sei Lá. Solange Heilborn reencontra Luíza Edgar Trimano. Bruno Almeida Sampaio tem um piti. Vera Lúcia Taborda quase derruba champanhe no blazer de Willian Guimarães Defoe. Ambos sorriem. Marianna Nutels aposta em Um Lance Mais Minimalista. Marcinha Souto Ribeiro e Armando “Baby” Piva têm um piti. Mário Sabino Rocha se entrega a Guilherme Gibson Baldwin. Adriano Torres Brandão de-tes-ta-de-tes-ta-de-tes-ta Pisos Brancos. Naicele Paschoal se encanta com o ambiente de Plínio Garbinski Vianna. Ricardo Rodrigues Nandi tem um piti. Reginaldo Herrenschwanden choca todos ao redor ao dizer que a-ma-de-pai-xão Paredes de Concreto Exposto. Dalton Estevão Telles tem um piti. Carlos Edgar de Andrade vai de encontro a Um Lance Mais Atemporal Sei Lá. Boris Trimano Garcez tem um piti.

PARAÍSO-9002 TROPICAL: 20h20min. ABNT pede a NBR sua parte na indenização. The European Technical Approvals (ETA) vai num jantar black-tie. NBR diz ao InMETRO que o pai de seu filho é Falcãobauer. Requerimentos Técnicos Essenciais convida Normas Européias Harmonizadas para sair. Triste e desconsolada, European Technical Approval Guidelines (ETAG) chora, mas é consolada por Directivas de Produtos de Construção (DPC). A European Organisation for Technical Approvals (EOTA) manda Mercado Imobiliário Brasileiro tomar no CUB. ABNT curva-se diante de Normas Européias Harmonizadas.

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VOCÊ QUER SER ARQUITETO???
Mas não tem tempo e nem paciência
de freqüentar um curso durante 5 anos???
Chegou a sua vez!!!

Um intenso processo de otimização, agilização, síntese, enjambramento e gambiarra permite que o aluno do curso de Arquitetura das Faculdades Thobias® atinja todos os objetivos programáticos (práticos e teóricos) em menos de uma (1) hora [GUINESS BOOK, 2006, p.351]. Diploma autenticado por Estados-irmãos caribenhos!!! Chega lá, diz que é meu amigo, que eles ainda fazem um precinho mais em conta!!!
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E ATENÇÃO: os 100 primeiros que chegar ganham, de quebra, um diploma de design!!! Inteiramente grátis!!!
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O Mercado reconhece os arquitetos graduados nas Faculdades Thobias®. Veja os testemunhos:

>>>“O elemento tentou abrir um escritório de arquitetura com um pé-de-cabra. Nossos homens passavam pelo local. Houve troca de tiros. O elemento contraiu óbito. O Mercado reconheceu o corpo no IML: era um arquiteto diplomado pelas Faculdades Thobias®.” (Delegado Ednardo Ramos, 34ª DP)

>>>“Pelo teste de DNA, o Mercado Imobiliário reconheceu o cafageste e agora agora já sabe quem emprenhou sua filha: era um arquiteto diplomado pelas Faculdades Thobias®.” (Notícias Populares; Caderno Imobiliário)

>>>“O edifício caiu. Um retrato falado permitiu ao Mercado reconhecer o responsável pela obra: era um arquiteto diplomado pelas Faculdades Thobias®.” (Programa Linha de Terra Direta; Rede Grobo)




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Enquanto isso em Berlim, 1928 :::
A boa arquitetura a gente conhece no dia seguinte.


Foi inesquecível aquele DCCLXIV ENEA, Encontro Nacional de Estudantes de Abitação, em São Paulo, naquele alegre ano de 1894. Ainda mais que, lá pelas tantas, apareceu uma irlandesa chamada Molly. Molly Bloom, dizia ela e disse e pensou num riocorrente in modo lorana com preeminência a culminação isfer & tassi ligando vempracaman em vanguarda & rhenan nulli secundus zuza excedendo-se & camila encontrada no meio das bugigangas infinitas com & quinta-essência mariaceleste & sortimento & nós lá gustavo & bewa & furnas atacando um sushi na rua & intra-composto richter calculando o abalo não do terremoto mas da ressaca e nós lá no memorial e nós lá juliano & argentino & francis mezzo japa traçando um rango japa liberdade liberdade abre as asas sobre nós (apud joão suplicy & leminski) e nós lá no mistifório andy warhol todo mundo no chão num mundo em pb amálgama pós-lela & sílvia miscível e legal & o saopaulino sãobento em sãopaulo a procura do centreinamento spfc à outrance mariana reclamando das botas mônada & jessé sumindo-se nos túneis subterrâneos & diante do quadro thaline explicando príapo & símplices ebulindo kappeler non descriptum mais tatu diante da inspiração geométrica & nós lá no linamasp motim e babilônia e tudo o que foi e o que era o mundo e lá não estive e lá queria estar e sim e eu digo sim e sim e sim




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MAIS ARQUITETURA THOBIAS®???
http://www.arquitetumba.blogger.com.br

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FENG-SHUI THOBIAS®, O VERDADEIRO!!!
http://www.thobias_fengshui.blogger.com.br

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AS FACULDADES DE ARQUITETURAS THOBIAS® INFORMAM
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Programa:
Módulo 01: "Sentando no quiabo com o lado direito do cérebro"
Módulo 02: "Entrando no Hades direito ao lado do Cérbero"
Módulo 03: "À margem direita do cérebro, sentei e chorei"
Módulo 04: "Passando manteiga no lado direito do pão e do cérebro"
Módulo 05: "O pecado mora ao lado direito do cérebro"
Módulo 06: "Auto-cad com o lado direito do cérebro"
Módulo 07: "Procriando com o sêmen ejaculado direto do cérebro"
Módulo 08: "Cagando e andando com o lado direito do cérebro"
Módulo 09: "Na próxima esquina, vire pro lado direito do cérebro"

E atenção: Quem completar as bagaça, ganha o diploma!!!

FACULDADES DE ARQUITETURAS THOBIAS®
(insuperáveis, porém modestas!)



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Cochila, diante de um livro, o decorador que passou os últimos quinze minutos tentando virar intelectual.

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A construção de edifícios é a única ascensão do proletariado disponível no mercado imobiliário.
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Sinopse explicativa do "Escritório Thobias®: Arquitetura de Interiores"

Nossa Missão: Nossos projetos são garantidos contra sobressaltos estéticos. Os decoradores do nosso escritório só empregam idéias de muito bom-gosto, devidamente aprovadas pelo uso e reconhecidas por colunistas sociais. Tudo de acordo com os últimas tendências da temporada. Idéias malucas e radicais são cuidadosamente retocadas por nossos funcionários especializados.

Nosso Lema: "combinar o novo com o sofá."

Nosso Diferencial: Nosso escritório de decoração é o único do mercado a possuir um frigorífico e ossaria.

Nossos Princípios:
Princípio 1) Da civilização babilônica até o pós-modernismo, arte é tudo aquilo que os colunistas sociais dizem que é arte.
Princípio 2) O grande plano político e social dos nossos decoradores é, um dia, se Deus quiser e Santo Antônio ajudar, dar palpites na vida sexual da primeira dama. Qualquer primeira dama.
Princípio 3) Para os nossos decoradores, toda a história e teoria da arquitetura são meramente simbólicas, desperdício de papel, de dinheiro, de tempo...
Princípio 4) A "responsabilidade social do arquiteto" é um lema antigo, ultrapassado, pernóstico, inventado pelo jogador Sócrates durante sua passagem pelo Corínthians.
Princípio 5) Livros e quadros deverão ser esfregados na cara das visitas. As cadeiras desenhadas pelo Corbu e pelo Mies deverão ser esfregadas na bunda.
Princípio 6) Na frente do cliente, deve-se evitar a palavra "misturança", dando-se preferência a "Ecletismo Pós-Moderno" ou "blended estético".
Princípio 7) A arquitetura de interiores é a profissão do arquiteto de interiores.

"Escritório Thobias®: Arquitetura de Interiores", 850 anos lutando pelo engrandecimento estético do Brasil.

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E já que os anos 80 estão na moda, você lembra:

1- daquele seriado sobre design chamado "O fascinante universo das estantes voadoras", cujos mocinhos eram colunas dóricas e cujos vilões eram escrivaninhas pós-modernas que viviam embaixo da terra?
2- daquele programa televisivo, sobre arquitetura gótica, que passava todo dia de manhã, cujo apresentador era cego, surdo, mudo, acéfalo e perneta, mas pensava que era uma beleza?
3- daquela tinta nankin tailandesa que tinha gosto de chocolate, aspecto de Nescau e era uma delícia dissolvida no leite?
4- da novela mexicana "Vida de Viga", que mostrava as alegrias, as tristezas e os amores de uma viga de concreto protendido que tentava a sorte na cidade grande?
5- daquele concurso anual de arquitetura cujo regulamento determinava que, no final, se algum dos concorrentes discordasse dos resultados podia espancar os jurados, assassiná-los, triturá-los, incinerá-los e, eventualmente, atirá-los ao mar?
6- daquele concurso de miss universo que ocorria nas beiradas de uma laje protendida, onde as modelos, após o "cat walk", lançavam-se ao ar para serem colhidas pelos aplausos da platéia numa cobertura tensionada?


Bem, eu também não lembro de nada disso...
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FLAUBERT, Gustave, 1821-1880. Dicionário de Idéias Feitas da Arquitetura (Dictionaire des Idèes Reçues de l'Architecture); psicografado e traduzido por "ArquiBabalaô Thobias®". Curitiba: Editoral Thobias®, 2004

Academia: Não precisa-se saber ao certo o que foi, mas deve-se acusá-la de todos os crimes.
Acadêmico: deve vir acompanhado de "ranço".
Alberti, Leon Battista: alta ciência. Sua invocação inspira sempre um grande respeito.
Aleijadinho: "gênio mulato". Era um simples operário. Morreu desconhecido e na miséria. Diante de qualquer obra do barroco brasileiro, deve-se perguntar: "É do Aleijadinho?"
Arquitetura: Já foi melhor. Sua qualidade caiu muito nas últimas décadas.
Art-déco: É preciso preservar os conjuntos, mas não os edifícios. Deve-se rir com com uma certa abnegação à notícia de que um edifício art-déco foi destruído.
Brasil: É espantosa a diversidade arquitetônica do país. Pena que as autoridades e as elites não reconheçam isso.
Casa-Cor: Deve-se denegri-la, e rir com escárnio. Ganha-se muito dinheiro nesses eventos.
Cidade: Um arquiteto está sempre numa cidade errada. Todas as cidades do Brasil seriam melhores se não fosse a ditadura militar e as elites. Só um amplo processo pode reestabelecer a qualidade das nossas cidades.
Clima: Causa universal de quase todas as soluções verdadeiramente arquitetônicas.
Construtivismo russo: o monumento à Terceira Internacional era um devaneio, porém genial. Não é preciso saber o que foi a Terceira Internacional.
Crítica: Só arquitetos podem criticar obras arquitetônicas, embora, por questões éticas, não devam faze-lo jamais.
Críticos: Se nos agradam ou elogiam, devemos acreditar que leram tudo, visitaram tudo, viram tudo e conhecem todas as pessoas que interessam. Se não nos agradam, devemos afirmar que são arquitetos frustrados, que nunca construíram nada.
Decoração: É de bom tom rir com desprezo das mostras de decoração.
Decoradores: ganham muito dinheiro, mas seus nomes serão esquecidos. Estão sempre errados. Descobrir detalhes sobre sua vida íntima para poder denegri-los.
Diploma: hoje em dia não prova mais nada.
Ecléticos: a desgraça da profissão. Não têm escrúpulos.
Ecletismo: estilo burguês. Não há a necessidade de datações ou conceitos precisos. Fustiga-lo, sempre!
Elites: sempre ignorantes. Genéricas, ex: "não dá para entender essas elites..." Não entendem de arquitetura.
Esplanada: só existe em Brasília. Dos Ministérios.
Le Corbusier: Deve-se lembrar de seus projetos arquitetônicos irrealizáveis.
Paladio: Um nome que deve ser dito com respeito. Suas idéias são ultrapassadas, mas atualizadíssimas.
Palmeira: Indispensável em projetos paisagísticos tropicais. Identidade do paisagismo nacional.
Sociedade: Inimiga da arquitetura. É a causa de todos os retrocessos arquitetônicos. Na dúvida, pode-se acusá-la de todos os crimes.
Superstudio: Ninguém sabe direito o que é. Foram revolucionários. "Ah, as utopias dos anos 60!"
Team X: Foi um grupo muito importante. Escreviam sobre urbanismo. Seus membros eram de vários países.
Teoria: A teoria na prática é diferente. Todos os grandes arquitetos eram grandes teóricos. A teoria não paga as contas no final do mês. Teoria não importa: o que vale é a prancheta.
Teóricos: palermas; sonhadores; utópicos. Não sabem desenhar. O ideal seria que todos soubessem mais teoria.
Urbanistas: um urbanista não sabe explicar suas idéias. "É, mas seus projetos são muito interessantes". Todo urbanista sonha com uma cidade.
Wright, Frank Lloyd: Genial. A Casa da Cascata e o Museu Gugenheim são geniais. Era de direita. Sua utopia era a vitória do automóvel.
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biografia
(a la manière do "Altazor", de Vicente Huidobro)


Nasci aos 42 anos, na manhã do flamejamento do gótico. Segundo aqueles que me conheceram, eu tinha um olhar em faixas, como uma persiana. Lançava suspiros tetrástilos.

Meu pai era cego e admirava as belezas arquitetônicas, de perto, quando o tato é olho. Sua voz era abrupta como os mosaicos bizantinos. Minha mãe tinha raciocínios carregados de abóbadas longínquas. Passava os dias bordando paredes de tijolos com as matérias plásticas das argilas estelares.

Numa tarde infinita, minha mãe deitou-me num vão livre, entre uma estrela e dois pilares. Ela me explicou que o esquecimento se acercava daquelas obras arquitetônicas. Por isso a arquitetura cai de sonho em sonho, construída pelos espaços espectrais e pelos materiais da morte. Herdei um solstício, sob a sombra de pilotis florescentes e lajes em viração.

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O CONSELHO TUTELAR DE ARQUITETURA MUNDIAL ATESTA




Nunca houve um "Plano Agache" para o Rio de Janeiro! Nunca houve um "Plano Agache" para Curitiba! Quem diz isso, não sabe o que está falando! O urbanista Alfred Donat Agache jamais esteve no Rio de Janeiro, jamais esteve em Curitiba!!! Alfred Donat Agache jamais esteve no Brasil...

Tais afirmações devem-se a uma preconceituosa visão anti-pele-vermelha de nossos historiadores do urbanismo!!! Em verdade, em verdade, vos digo: o Rio de Janeiro e Curitiba foram salvas por índios Apaches, num clássico da cinematografia universal: o inesquecível (porém pouco lembrado) "O Ataque dos Mexilhões Inter-Galáticos Urbanistas Assassinos" [cf. DA TARDE, Sessão, 1997; para uma visão retrospectiva, cf. OSCAR®, 1986].

CENA 1) Os Mexilh. Inter-Galát. Urbanist. Assass. iniciam a invasão do planeta Terra com um ataque ao Rio de Janeiro e Curitiba. Planos urbanísticos dos invasores: criação do caos urbano através de:
a) inversão do sentido de todas as ruas (as que vão, agora vêm; as que vêm, agora vão);
b) sumiço de carimbos na prefeitura ("desculpe, mas o senhor vai ter que voltar amanhã...");
c) falta dos estagiários no estágio,
d) pau na impressora meia hora antes do prazo de entrega do projeto para o concurso de urbanização, etc, etc.

CENA 2) Todos os exércitos de urbanistas do mundo são enviados para combater os malvados Mex. Inter-Gal. Urban. Assas. Porém, os Mx.Intr-Gal.Urba.Ass. são invencíveis.

CENA 3) Os Urbanistas Apaches surgem no horizonte. "O futuro de nossas cidades está em jogo". Os Mx.Intr-Gl._Urb.Ss jogam na Águia. Os Urbanistas Apaches jogam no cavalo.

CENA 5) Os Urbanistas Apaches criam planos urbanísticos de guerra. >>> CLOSE NO NOME DOS PLANOS: "Plano Apache para o Rio de Janeiro" / "Plano Apache para Curitiba". (Mestrandos e doutorandos de urbanismo, em coro, diante da desconcertante verdade: "Ooohhhhh!!!")

CENA 6) CAVALO NA CABEÇA!!! Os Urbanistas Apaches acertam no milhar, ganham 500 contos e não vão mais trabalhar. O Rio de Janeiro está salvo, Curitiba está salva!!! Eeeeehhhhh...

CENA 7) Saída de campo: "Estamos aqui com o urbanista-capitão dos MxNtrGl.RbSs. E daí o que faltou para a vitória?" Urbanista-capitão dos MxNtGRSs: "A equipe projetou bem, mas invasão urbana é uma caixinha de surpresas, agora é pensar na próxima invasão, para recuperar nosso lugar na tabela de classificação da História..."

Porém, devido ao preconceito existente entre os historiadores do urbanismo, em ralação à Escola Urbanística Pele-Vermelha, essas verdades tão óbvias são desprezadas. É por isso que nos livros de urbanismo brasileiros, a grafia desses planos aparece alterada para "Plano AGache para Rio de Janeiro" e "Plano AGache para Curitiba" [Cf. ARANTES, 1996].

O mais curioso, porém, é a linha de argumentação dialética, que me leva às erratas de meus textos aqui, no próprio texto. No parágrafo acima, eu dizia que o verdadeiro nome do Plano Agache é Plano Apache. Não é, não é e não é!!! Nego o que disse agora mesmo. E mais: nego-o com ênfase!!! (Jânio Quadros ao fundo, discursando num fusca). Faço uma errata e digo que o nome original do tal plano é "PLANO ARRIE, AGACHE E ARROCHE". É que os administradores urbanos, apesar do tanto que se debatem e lutam e conflagram e brigam, no fim, ecológicos que são, gemem (tal e qual lenha verde) ou abrasam-se (tal e qual lenha seca)...

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A Análise psicanalítica da Arquitetura
por Manfreud Tafuri

((bãm-bãm-bãm da Escola Psicanalítica de Arquitetura de Veneza))


capítulo de hoje:A inveja do Moderno

Só muito recentemente a arquitetura pós-moderna conseguiu se libertar da pressão castradora exercida pela figura paterna d'O Moderno. Enquanto isso, o Neo-Clássico permanece eternamente condenado à impotência e à fixação na fase anal.

Na soma de todos esses fatores é que nós, do Instituto Superior de Psicanálise Arquitetônica e Formal, estamos detectando uma nova tendência no inconsciente da arquitetura nesta entrada de milênio: "A inveja do Moderno". Na atual fase, há uma predisposição libidinal a acreditar que O Moderno era uma fase de embates estéticos duros, duríssimos, de posturas arquitetônicas rijas, heróicas, de formas puras que não davam folga e nem saíam de cima, ahhhhhhhhhhhhhhhhh...

Decorre daí a citada inveja.

Um sintoma constante da Inveja d'O Moderno são as lembranças constantes a respeito de Brasília. Pelos registros anotados, é muito prazeroso lembrar daqueles espelhos d'água úmidos... quentes... orvalhados... gotejantes... pantanosos... ahhhhhhhhhhhhhhhhh... Ou então vêm à mente os interiores dos grandes edifícios da Praça dos 3 Phoderes, todos tão aveludados... tão suculentos... tão macios... tão... amanteigados... tão... escorregadios... tão... sedosos... tão... felpudos... tão... plásticos... tão... suaves... tão... fofos... tão... almofadados... tão... esponjosos... tão... cetinosos... tão... aaaaaahhhhhhhh...

Porém, em sentido inverso, há o velho conhecimento estampado nos pára-choques dos caminhões de construtoras em todo o mundo: "A inveja do Moderno é uma merda pós-moderna!". Este recalque, em geral provoca um rearranjo estrutural da libido arquitetônica.

Isto é: na hora de garantir o contraventamento da mente humana, vale tudo. O negócio é deixar a armadura estrutural em pé e enfiar o pé na jaca. Porém, como diria o psicanalista Carlos Eduardo Mascarenhas Dias Comas: "As vezes, um pilotis é apenas um pilotis..."

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Cacetadas em mim
(por Édi Porrêi, arquiteto)

Há décadas, certos "críticos" insistem em fazer "críticas" das mais ferozes à atuação deste meu blog (este aqui mesmo, www.arquitetumba.blogger.com.br). Trata-se, basicamente, de uma gentinha insignificante do New York Times, da Architectural Review, do Le Monde, da Architectural Design, do Chicago Tribune, da L'Architecture d'Aujourd'hui, do Libération, da Domus, do El Clarín, da Werk, do Tokio News, da Casabella, do El País, do Hearst Newspaper, além de outros jornais e revistas menos cotados.

O motivo, óbvio, é o ciúme. E digo mais: ciúme, ciúme e ciumíssimo.

Modéstia à parte, há mais de dois séculos este meu blog está conseguindo a façanha de ser uma síntese dos conhecimentos disponíveis nas áreas de literatura, história, física, química, antropologia, música, filosofia, poesia, futebol, economia, biologia, arquitetura, maquiagem, direito, arqueologia, artesanato, antropometria, gastroenterologia, psicanálise, leonelbrizola, culinária, cerâmica e artes plásticas. Estes críticos são incapazes de imaginar algo com tamanha grandeza estética e social. Por isso desandam a falar mal da primeira obra-prima que aparece na frente deles. Mas, deixe estar... A eles, só tenho uma frase a dizer:

"Construirei a minha Villa Rotonda com as pedras e os tijolos que me atirais."
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Less is more! Less is more! Less is more! Less is more!

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CRIAÇÃO DE CLIMA E/OU EFETUAÇÃO DE CANTADA
NBR6969, da ABNT.

A cantada pode ser definida como o "conjunto de procedimentos com vistas ao estabelecimento de contato e, posteriormente, ao afogamento do ganso" (BELISÁRIO, 2001, p.69). Sua sistematização, enquanto objeto de análise, deve-se a SOARES (1995. p.42). Posteriormente, ALMEIDA (1999, p. 69), tratou das tabelas com vistas ao lançamento mais preciso dos dados. Mas é preciso considerar a crítica de COUTINHO (2000), de que ALMEIDA escrevia, escrevia, escrevia, mas não "pegava nada" (p.360).
Apesar dessas divergências a nível de efetivação do objeto, CAVALCANTI (1998, p.268) acrescenta: "Somente com a aplicação sistemática da NBR6969 será possível aos amantes contemporâneos obter ISO9002 para seus flertes, para que eles possam estar sendo colocados no mercado internacional".

((( agradecimentos: os autores dessa pesquisa gostariam de agradecer a Claudio BOCZON, sem o qual teríamos dificuldades para catalogar os dados :::
www.boczon.blogger.com.br )))




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RUTH VERDE AMARELO ZEIN ENSINA A FAZER A VERDADEIRA ARQUITETURA MODERNA BRASILEIRA

Ingredientes
1 fonte bibliográfica murmurante
1 coqueiro que dá côco
1 usina de coentro armado
1 maço de Ruth Cheiro Verde Zein
250g de Gabriela, Godinho, Cravo e Canela
1 tronco de pau-brasil
500ml de IPHANTA Laranja da Bahia

Modo de fazer
Para que esta arquitetura seja bem brasileira, é recomendável que ela seja Rino, Leve e solta. Para isso, aconselha-se que seja projetada e construída nas coxas, como as antigas telhas de capa e canal, ahhhhhhh. Mexa e remexa nas cadeiras moles do Sérgio Rodrigues e deixe o Paulo Mendes com água na boca. Ao mesmo tempo, bote seu bloco de concreto na rua e saia cantando Eu tô que tô! Rui Othake que tô!
Refogue o Sérgio Rodrigues na fonte bibliográfica murmurante onde eu mato a minha sede. Projete uma varandona gigante com o maior vão-à-merda livre em concreto do mundo e ponha o Gilberto Freyre para teorizar deitado na rede. É Sérgio Ferro na boneca! Prepare uma estrutura com troncos de Pau-Brasil, copie a letra de "Detalhes Arquitetônicos" (de MMM Roberto e Erasmo Carlos), fique de Lúcio Costas para o oceano, olhando fixamente para o sertão que vai virar mar, o mar que vai virar sertão.
Limpe o salão de baile da Pampulha, e bote o Genival Lacerda para cantar "Quem não conhece o Warchav Chik-chik, fez casa de pau-a-pique, para a vida melhorar...". Chame o espírito Burle Marx para fazer um jardim com coqueiro que dá côco, onde eu amarro a minha rede nas noites de luar.
Abra uma concorrência púbica fraudulenta e imponha a vitória da empreiteira "Oswald & Mário de Andrade Gutierrez" (a empreiteira oficial da Semana de 22) para tocar as obras. Leve tudo ao planalto central sob uma temperatura intelectual escaldante. Bote o espelho d'água do Congresso para ferver. Despeje a Maizeniemeyer no espelho d'água, misture concreto e mexa lentamente os conceitos, até engrossar. Não espere esfriar. Pode vir quente que eu estou fervendo! Para dar um toque latino-americano a este prato, salpique uma pitada de Ararute Verde Zein. Por fim, coloque o Carlos Eduardo Comas na porta da Casa Grande & Senzala para controlar e detalhar toda a cronologia do projeto moderno em execução.

Essa receita dá para 1 Moreno Levi, 2 Mamelúcio Costa, 3 Joaquíndio Guedes, 4 Brasílias Amarelas (com 54 super-quadras de escola de samba em cada uma), 22 Ministérios da Éducacete, 4 Ermínia Mariklaxon (a revista do Mutirão Pau-Brasil), 1 Palhaço Carequinha do Alvorada, 1 MAMUBE e mais 1 conjunto habitacional de Affonso Reidydi, Léle, Muçum e Zacarias.



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A Central Thobias® de Grandes Romances Arquitetônicos, orgulhosamente apresenta
La verdad, duela a quién duela!!!
Ao atingir o alto do morro, Ricardo Legorreta fez seu corcel, Le Corbusilver, estacar. Viu entre as plantações de bananas o lugar onde nasceu e se criou. Relembrou sua vida. Quando completara doze anos, seu pai, el Capitán Don Lúcio de Costa y Costa, enviou-o para a Espanha, a fim de que o herdeiro do escritório pudesse desenvolver uma arquitetura adequada à riqueza conceitual da família. Na Real Universidad de la Arquitectura, Arquitectaco y Etcetera Ricardo destacou-se em todas as matérias, especialmente:
"Arquitetura Vernacular Com Casca de Bananas" (APD-35),
"Arquitetura Clássica Com Terra de Formigueiro III" (APD-37-III),
"Abóbadas de Berço com Bananada" (APF-38 - opcional)
"Canteiro Experimental de Arquitetura e Cana de Açúcar" (AA*I-35).

Legorreta voltava agora à terra natal. O destino, no entanto, guardou-lhe uma surpresa cruel, muito cruel, crudelíssima. Toda a região se encontrava sob o domínio estético do escritório do malvado Comandante Don Tadao Ando y Andando. Tratava-se de um projetista sem escrúpulos. Seu maior orgulho eram os projetos catastróficos ("nossa estética é uma catástrofe", dizia com orgulho, enquanto alisava os bigodes). Segundo um levantamento minucioso do crítico Carlos Eduardo Díaz y Comas, o escritório de Don Tadao Ando y Andando era especializado em arquitetura neo-antiga, estupro de estagiárias, reformas abusivas em imóveis tombados pelo patrimônio histórico, injetamentos de toner de impressora nas veias dos críticos, cegamento de arquitetos concorrentes, enforcamento de autocadistas desastrados, castração de fornecedores de cerâmicas. "Miudezas", dizia Don Tadao Ando y Andando enquanto alisava os bigodes, "miudezas"... (quanto ao crítico Carlos Eduardo Díaz y Comas, foi obrigado a fugir para outras terras bravias, mais ao sul).

Don Lúcio de Costa y Costa nada podia fazer. Restava-lhe passar longas tardes projetando plaños-pilotos. Dueña Zaha de Hadid y Hadid, sua amantíssima esposa, dizia "Virgen de Guarda Lumpen!, ¿que se há de hacer? ¡Es la vida!", e voltava a projetar seus prédios deconstrutivitas feitos com pimenta fortíssima.

EL AMOR BRUJO
Do outro lado da cidade, o peito moreno de Dueña Lina de Bo y Bardi acalentava o sonho de ver seu prometido esposo, Ricardo Legorreta, retornar de Espanha e trazer mais uma vez justiça, terra, sangue e liberdade à oprimida arquitetura mexicana. "¡Carajo!, não vejo el dia de Ricardón dar las caras", dizia com meiguice, espantava as moscas e dormia a sesta.

Tudo isso era desconhecido de Legorreta que, no alto do morro, sentou-se à sombra de uma árvore e projetou - sempre o arquiteto genial! - seu maravilhoso Sombrero rojo en hormigón armado e revestimiento vernacular (atualmente exposto no Museu de Estética e Armamentos General Arce Rivarola de Valderrama y Higuita, na cidade de Cuáhtemahloc, pela módica taxa de 16 guacamoles, com eventual serviço de guia). Apesar de tão bela inspiração autóctone, Legorreta foi despertado de seu devaneio estético por cascos de cavalo batendo em bosta de arquiteto campesino. Uma patrulha estética se aproximava.

- La Carta de Atenas, hijo de puta! - solicitou educadamente o bigodudo arquiteto moderno à frente do grupo, apontando-lhe um AutoCad 2002 milímetros.

Legorreta não teve dúvidas: sacou meia dúzia de conceitos arquitetônicos e mais um afiado cd com o programa de instalação do CorelDRAW!11. Matou os trezentos arquitetos da milícia estética com uma dúzia de movimentos pós-modernos ágeis & coloridos. Depois disso, ajoelhou-se e, aos prantos, fez uma promessa à Santa Jô de Vasconcelos Y Vasconcelos: só descansaria quando expulsasse do continente todos los malditos modernos. No céu, um turbilhão de anjos pós-modernos, roliços, coloridos & bigodudos entoava cânticos com as imorredouras palavras do arquiteto espanhol José Benito Churriguera (1665-1725): "Oooolé!!! Olé!!! Oooolé!!! Olé!!!"

Após secar as doloridas lágrimas que escorriam em seu rosto e espantar as moscas, Legorreta deixou sua marca nos corpos sem vida da arquitetada imunda. Fez o croquizinho de um museu no peito de um, uma perspectivinha vagabunda nas costas de outro. Aí teve a idéia de grafar El Gran Libertador de la Arquitetura de las Americas em cada um dos corpos. Não conseguiu. Contentou-se em escrever EL. Os corpos foram encontrados no dia seguinte com a misteriosa inscrição: XJ. Apesar de talentoso para o desenho, a letra de Legorreta sempre foi incompreensível.

Carajo! Las Brigadas Modernas!!!
EL PADRE DE LOS POS-MODERNITOS ou LA VIDA DUPLA
Ricardo colocou um pañuelo negro sobre os olhos. Deu três passos. Tropeçou. Faltava algo para completar sua identidade secreta. Buracos, é claro! Com angústia, com fúria, fez os buracos no pano e partiu em louco galope rumo à História. Seu fiel cavalo Le Corbusilver ia vários metros atrás, sem entender a pressa.

A partir de então, Ricardo levaria uma vida dupla. Durante à noite, como o mascarado El, projetava edifícios de grande qualidade técnica e formal, escrevia artigos em revistas especializadas, participava de congressos, assassinava impiedosamente milhões de arquitetos modernos, apresentava palestras em universidades, lançava manifestos e seguia libertando a arquitetura da Califórnia, do México, Guatemala, Honduras, El Salvador, Cuba, Suriname, Panamá, Haiti, República Dominicana, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Chile, Argentina, Paraguay, Uruguay e Bolívia. "Las épocas revolucionarias son propensas al simbolismo didáctico y al uso propagandístico de la arquitectura para promover metas revolucionarias", repetia todas as noites, para um público formado por moscas e bananeiras. O único a saber de seu segredo era o fiel cavalo Le Corbusilver que, ao invés de denunciá-lo, preferia pastar. Pastava com gosto, o cavalo Le Corbusilver...

Durante o dia, Ricardo afetava modos que protegiam sua identidade noturna. Trajava vestidos de seda, projetava ambientes para mostras de decoração, cobria-se de colares e perfumes, comprava tecidos escandalosos para revestir os sofás de seus clientes, usava flores amarelas nos longos cabelos pretos e encaracolados, dava gritinhos de raiva quando uma especificação técnica não era obedecida, usava tamancos altos e coloridíssimos, colecionava Barbies, tinha chiliques quando via a foto de um decorador concorrente em alguma revista, abria e fechava o leque, flertava descaradamente com engenheiros, usava decotes que chegavam ao umbigo. Não houve extremo a que não chegasse para proteger a identidade de El. Entregava-se com volúpia às vontades dos mestres-de-obra, ia para o mato com qualquer um que quisesse discutir as últimas tendências da decoração ou mostrar-lhe um autêntico pilotis criollo. Tudo pela causa, compañeros! Tudo pela causa! Enquanto isso, a misteriosa matança de los perros modernos continuava.

ÉL ES EL, EL LIBERTADOR DE NUESTRA ARCHITECTURA!!!!
E chegou então a grande noite em que o último arquiteto moderno foi exterminado. Don Tadao Ando y Andando resistiu como pode, mas seus prédios foram implodidos, os estagiários incinerados e seus conceitos estéticos amaldiçoados até a vigésima-sétima geração (o evento foi transmitido para todo o continente, menos para a cidade do México, que assistiu a um documentário sobre a utilização da pimenta malagueta em projetos paisagísticos).

No dia seguinte, Dueña Liña de Bo y Bardi, junto com os outros libertados, tomou conhecimento da identidade do antes ridicularizado Legorreta. "Él es El!!!", suspirou em meio a sorrisos. Correu até Ricardo, ou El, e disse, meiga: "Que belo tubo de projectos tienes, Ricardón, ¿puedo segurarlo?"

Ricardão não teve dúvida. Bradou "Mi architectura es fierro en la boneca!" e mandou ver ali mesmo, na Praça Vernacular. Foi indescritível a alegria de su madre, Dueña Zaha de Hadid y Hadid, de su padre, el Capitán Don Lúcio de Costa y Costa e de todos o resto da arquitetada, que repetia em coro o princípio estético que se tornaria célebre "Mi architectura es fierro en la boneca!"
Todos estavam, e para sempre ficariam, en una buena.

E assim, sob um céu azulíssimo, palmeiras ao fundo, anjos rechonchudos no horizonte e um olor de pimenta no ar, o pós-modernismo triunfou nas nossas Américas.



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Coleção Thobias® de Grandes Duelos
O CONCRETO VERSUS O CONTEXTO

Previdência promove: concurso para Muro, com capacidade para 250 mil encostados.

A tarde caía. O sol lançava seus raios avermelhados sobre Pampulha Town. Tudo ao redor era deserto. Todos fugiram em pânico com a chegada de Billy The Podestá. Ele vinha resgatar uma dívida de sangue. Billy The Podestá tinha o coração cheio de fúria contra aqueles que queimaram e arrebentaram as portas da história no século XX, que curraram os livros, que seqüestraram conceitos teóricos, que salgaram as estéticas alternativas, que se apossaram das escolas de tiro. Seu alvo era Oscar Sundance. O motivo era corriqueiro: um atirador de gabarito ganhou uma disputa para ser o novo xerife de uma localidade. Porém, Oscar Sundance era o preferido do chefe local e foi nomeado xerife. Oscar Sundance era sempre o preferido de todos os chefes locais.

Oscar Sundance nada temia. Era um pistoleiro das antigas tradições. Um desbravador do velho oeste. Há muitos anos, ele foi o xerife de Pampulha Town. Depois, foi xerife de uma grande cidade construída na secura de um planalto bravio. Há mais de 60 anos, diante de qualquer perigo, Oscar Sundance sacava sua caneta Pilot e com alguns poucos movimentos eliminava os inimigos. Por isso, era conhecido como "A Caneta Pilot Mais Rápida do Moderno". Todos acreditavam que ele reinventava seus gestos a cada duelo. Porém, um pistoleiro de raciocínio aguçado chamado Edson "The Mahfuz" Mahfuz esclareceu a charada: Oscar Sundance era virtuose em oito gestos básicos. A cada novo duelo ocorria uma variação desses gestos.

"Não mexa com esse ser intangível", diziam alguns pistoleiros que reverenciavam a perícia de Oscar Sundance. Porém, ao cair da tarde, Billy The Podestá sacou seus conceitos e iniciou o tiroteio verbal. Oscar Sundance nada dizia. Apenas mastigava suas crenças, impassível.

Tchan, tchan, tchan, tchan!!!!
Quem vencerá o duelo ao pôr do sol?
Não perca o próximo capítulo de
"O Concreto versus o Contexto ou
Os Arquitetos Nacionais Brutos Também Amam".




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Oscar Niemeyer é o nosso Átila. Por onde passa, não cresce a grama...
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ARQUITETURA MINEIRA HOJE
Com o super crítico Lô Corbusier Borges

"Uma velha túnica indiana,
um dia prá vadiar,
um cassino da Pampulha,
e um incenso no ar..."


Domingo tava um clima demais da conta lá no lago de Pampulha de Belorizontem e aí juntou uma turma demais da conta, bem ali na frente da Igreja projetada pelo Oscar de Melhor Filme do Ano®. Tava lá todo o pessoal do Escritório da Esquina: o Sílvio Podestá, a Jô Vasconcelos, o Itamar, a Janis Joplin, o Aleijadinho, o Tancredo Neves, o Éolo Maia...

Tava todo mundo super esparramado na grama quando a Jô inventou de entrar no lago com o AutoCad e rolou uma super descarga demais da conta de 220v. Aí o Sílvio Podestá disse que tinha pensado num projeto demais da conta baseado em doce de leite, e a Jô disse para ele não se meter a besta, pois ela já tinha um projeto demais da conta inspirado no pão de queijo. Aí rolou um clima desagradável demais da conta de legal.

Aí a Jô deu uma pós-modernizada demais da conta abaixo da linha de cintura que deixou o Podestá tonto. Enquanto isso, o Aleijadinho e a Janis super cantavam "Nos bares da Lina", de MMM Roberto e Erasmo. Aí o Podestá tacou uma teorizada demais da conta de tão conceitual no meio da boca da Jô, quebrando preceitos estéticos e vários dentes da coitada. Aí chegou um policial demais da conta que não entendia nada de arquitetura e super levou o Sílvio Santos Podestá para uma Casa de Câmara e Cadeia barroca imunda abaixo de porradas estéticas demais da conta. De noite, eu e Jô fomos tentar soltar o coitadinho do Podestá.

O Aleijadinho, a Janis e o Tancredo ficaram até o outro dia cantando "Learning from Pampulha", "Caminhando and Cantando in Architecture", "O teu cabelo horizonte não nega" e outros sucessos do Robert e Erasmo Venturi, tudo de trás para frente, que é para ouvir mensagens satânicas.

Foi um domingo demais da conta.

Lô Corbusier Borges é autor do livro infantil "Tinha uma arquitetura moderna no meio do caminho", em parceria com Joaquim Beto Guedes.




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vem aí :::
o maior,
o melhor,
o mais bacana,
o mais modesto :::


Vende-se: Casagrande, Sócrates e Senzala. Tratar aqui.

O ACERVO
>O único museu do mundo especializado em Etcétera, Afins e Ainda Por Cima.
>A maior coleção jamais reunida de Inclusives!!!
>Inédita sessão de Outrossim e Além De.

A SEDE
>O edifício com o maior vão-à-merda livre do mundo!!!
>Projeto arquitetônico de Oscar Demelhorfilme!!!
>Estrutura no exclusivo sistema Não Obstante!!!
>Revestimento de Bem Como!!!

MUSEU THOBIAS®!!!
CULTURA EM TIGELADA!!!


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Vivendo uma "nova fase", o famoso decorador se prepara para lançar mais uma "nova tendência" :::

O Feng Shui é a eguinha pocotó da arquitetura!!!

Decoradores que seguem as "últimas tendências" são sempre sinceros. Apenas trocam de sinceridade de seis em seis meses.



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Pobres de nós, que sofremos de excesso de idéias e carência de clientes!



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Aquele decorador era um seguidor convicto das últimas tendências. Tornou-se conhecido quando declarou, histérico, que não suportava cubos brancos, pois a pureza formal o entediava. Num gesto de repúdio à pureza formal, criou ambientes coloridíssimos, cheios de curvas e que, segundo ele, eram "apaixonantes".
No ano seguinte, extasiou a todos com um ambiente inspirado em Bali, de um orientalismo tropical, concebido com dúzias de materiais tão diferentes quanto primitivos.
Na temporada seguinte, apresentou ambientes inspirados num misticismo light e eclético.
Depois, deliciou-se em ambientes versáteis com móveis que misturavam palha com aço.
Por fim, atingiu a glória quando anunciou um "novo conceito": a pureza formal e o minimalismo de materiais, resumida num cubo branco. Durante uns quatro meses, definiu-se como um "clássico moderno".
Tanto mudou de posição, que agora os clientes já não o pagam pelos meios normais. Deixam o dinheiro em cima da cômoda.



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All Édi Porrêi is Édi Porrêi!!!









CRIAÇÃO: IRÃ TABORDA DUDEQUE

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